domingo, junho 12, 2005

Quem paga?

Hoje acordei atrasado pro trabalho e saí sem comer.

Burro que só, passei no Pão de Açúcar e comprei um litro de iogurte pra em seguida subir no ônibus e enquanto ele sacolejava pela rua eu tentava beber o treco.

Pãtz, quase morro!

Não bastasse a garrafa ir pra todo lado menos pra minha boca, o iogurte foi parar no meu pulmão, no nariz, no verso do olho, no lugar que o pessoal chama de figo, e eu fiquei verde feito o sol em dia de chuva.

Duas horas depois, já de volta, onde vou eu? Ao Pão de açúcar de novo! Minha escova de dente havia fugido com a pasta dental e eu precisava reagir antes que minha boca virasse um bueiro. Então, tranquilão, entrei no mercado, peguei pasta, escova e dois sabonetes, e só no caixa fui me ligar que estava com a sacola da compra da manhã comigo... "E daí?!", pensei "Se pedirem a nota", que, claro, eu tinha jogado fora na mesma hora em que passei as mercadorias, " eu digo que não tenho e vou-me, em todo caso, mando provarem que peguei alguma coisa."

E adianta?! Por acaso eu não estava me sentindo vigiado enquanto ia saindo, antes mesmo de ver que gerente vindo na minha direção... É, e se seguiu a seguinte sequência sequiosa:

"-Bom dia. Eu observei que o senhor entrou na loja com uma sacola com nosso logotipo. O senhor tem a nota fiscal dessa compra?"

Bom dia nada. Bom dia é o tijolo do olho esquerdo condensado. Eu não sabia o que cara queria?

Conferir se eu não estava roubando nada, roubando não, furtando. Pãtz, vai mandar sapatos pro esterno!!! Veio com uma conversa de lacrar meus pertences quando eu entrar no lugar. Que papo é esse?! Quem são pra me tratarem com esse tipo de atitude?! Além disso sugeriram que eu colocasse minhas coisas num guarda volumes. Guarda volumes é o nome que se dá a prateleiras numeradas toscas, onde minhas coisas ficariam expostas aos funcionários da empresa. Os mesmos que não confiam em mim, mas em quem provavelmente eu deveria confiar.

Eu e o mercado. Não deixo de pagar vinte centavos ou vinte reais no caixa. Outro dia comprei 4 pêras lá, seis reais. Sim, eram pêras. São esses os toscos que me tratam se prevenindo de um roubo. Bem, quatro pêras lindas que abertas em casa estavam completamente podres. Podres. Foram guardadas no congelador e ao descongelar estragaram, provavelmente esse foi o motivo que as levaram à embalagens fechadas. Ah, claro, era só trocar usando a nota fiscal que tinha ido pra lata do lixo. Eu e o mercado. Mas ladrão sou eu. Ao menos sem a tal nota fiscal.

Com ela não sou ladrão, mas ainda assim tenho de provar que não sou. Não existe uma lei que diz que o ônus da prova é do acusador?

Abuso.

Vou procurar um advogado e saber se podem me submeter à esse tratamento (vexatório) preventivo explicado pelo tal gerente da seguinte maneira "Infelizmente, as pessoas honestas têm de pagar pelos outros", a menos que a lei esteja do lado deles, a mãe do Abílio que pague pelo que querem receber, eu não.